Quem escreve:
Walter Araújo Costa
Assuntos de política, poder, cultura, bastidores e literatura.
São Bernardo do Campo - SP
araujo-costa@uol.com.br

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"Ver bem não é ver tudo. É ver o que os outros não vêem."
José Américo de Almeida



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Blog de Walter
 


Para refletir, acreditar, desacreditar:
“Amigo é o que chega quando as outras pessoas estão indo embora” (Walter Winchell, 1897-1972).
Citei esta frase de Winchell em meu livro "Dorotheu: caminhos, lutas e esperanças", lançado em 2001, com o intuito de espelhar o sentimento de solidão e desamparo que geralmente acontece nos momentos mais difíceis da vida. A saudade apertou e fui visitar um amigo de muitos anos, que o mundo parece ter desabado sobre ele. Cansado, problemas por todos os lados, alquebrado em razão da passagem do tempo, maltratado e judiado pelas circunstâncias da vida. Os amigos, que se diziam amigos, afastaram-se. A solidão está lhe corroendo, o desamparo lhe dilacerando, a angústia lhe tomando a direção do viver. Naquele dia, naquela hora, estava só. Ao abrir a porta, recepcionou-me com esta pergunta: “É você?”. Senti ali, através de seu olhar debilitado, que as pessoas que nos rodeiam em nossos momentos de sucesso e felicidade desaparecem nas ocasiões de tropeços e fracasso. “Amigo é o que chega quando as outras pessoas estão indo embora”. Mas é difícil tê-los.

 

araujo-costa@uol.com.br



Escrito por Escrito por Walter às 18h25
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Em Chorrochó, um exemplo de oitenta anos

Já se vão, por aí, algumas décadas. Em 1971, precisamente em janeiro, conheci o Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho. A circunstância foi alvissareira para este modesto escrevinhador que, oriundo da caatinga curaçaense de Patamuté, matriculava-me no primeiro ano do curso ginasial em Chorrochó. À época Dr. Pacheco era Diretor do Colégio Normal São José.

O Colégio São José era cenecista, porquanto obedecia normas e diretrizes da Campanha Nacional de Educandários da Comunidade (CNEC), instituição de providencial importância para os municípios do interior naquele tempo.

O ensino propiciado pelo poder público nos municípios era demasiadamente ineficiente e deixava lacunas consideráveis. A CNEC, em alguns casos, preenchia esses espaços, fundando escolas e viabilizando professores locais. Assim, estribado nesses princípios, Chorrochó construiu significativos valores que perduram até hoje.     

Na ocasião a que me refiro, Dr. Pacheco já havia ingressado no Ministério Público do Estado da Bahia e exercia a função de Adjunto de Promotor na então jovem comarca de Chorrochó, que tinha sido instalada em outubro de 1967. O Dr. Olinto Lopes Galvão Filho era o juiz titular da comarca.

Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho fez brilhante carreira na Bahia e trabalhou em diversas comarcas do Estado, dentre elas Morro do Chapéu, Euclides da Cunha, Paulo Afonso e Salvador. Em todas elas alçou posição de destaque no edificante exercício de sua função de promotor de Justiça. Salvo engano, aposentou-se em novembro de 1994.

Dr. Pacheco é casado com a refinada professora Maria Therezinha de Menezes, brilhante senhora da sociedade chorrochoense, ícone da cultura local, lídima, notável e conspícua intérprete das tradições de Chorrochó, com quem constituiu família. As filhas Fabíola Margherita e Cynthia Cibelle completam o núcleo familiar do casal. E estão, por aí, sempre ao redor, desfrutando a ascendência exemplar.

Chegou-me a informação de que o Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho entrou para a lista dos octogenários. É uma data significativa para quem, durante toda a vida, deu monumentais exemplos de bondade e competência profissional para seguidas gerações.

Dono de uma humildade impressionante, Dr. Pacheco construiu uma história de elevada honradez e seriedade. É um exemplo para chorrochoenses, admiradores e familiares. 

 

araujo-costa@uol.com.br



Escrito por Escrito por Walter às 12h04
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Curaçá e o professor Pinzoh

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Curaçá indicou o professor, mestre e Doutor em Educação Josemar da Silva Martins (Pinzoh), para compor, na condição de vice-prefeito, a chapa de Flamber Feitosa. Decisão sábia, acertada, inquestionável.

Tenho sido crítico do Partido dos Trabalhadores, em razão do visível divórcio que me permito enxergar entre o discurso e a prática de suas ações. Conheço-o bem. Transito em seu berço embrionário, em São Bernardo do Campo. Convivi com muitos dos seus abnegados fundadores.

Sonhadores por excelência e irrequietos defensores da moralidade pública, alguns desses fundadores estão cabisbaixos, decepcionados com o rumo que o partido tomou. Não era o caminho sonhado por eles no esvoaçar das cinzas da ditadura militar. Houve um desvio de rumo que não estava no esteio do partido, quiçá um equívoco em razão da inexperiência e ânsia de poder. 

Quero crer que o PT de Curaçá difere, em muito, do PT nacional, entendido aqui como núcleo decisório, o que é atestado pela honradez e seriedade de seus membros curaçaenses, dirigentes inclusive.

É razoável reconhecer que no PT nacional também há nomes probos, corretos, irrepreensíveis, ideologicamente afinados com o ideário partidário. Assim, em todo o Brasil. E Curaçá foi contemplado com petistas sérios, decentes, idealistas. 

Todavia, os pecados de alguns de seus próceres da direção nacional tiveram o condão de contaminar a agremiação partidária. Mas há o joio, há o trigo, há a necessidade de discernimento.

O PT agasalhou respeitáveis intelectuais, formulou interessantes políticas públicas, engendrou formas de assegurar renda às classes menos favorecidas da sociedade. Começou no rumo certo, mas se perdeu entre suas próprias vaidades.  

Entretanto, uma coisa é o partido, com seus tropeços. Outra, completamente diferente é a presença de pessoas sérias em suas fileiras. No Brasil, há exemplos clássicos de homens públicos que estiveram acima dos partidos políticos, em razão de suas envergaduras morais. Na Bahia, é exemplo o ínclito ex-governador Waldir Pires; em Pernambuco, Miguel Arraes; em Sergipe, Seixas Dória; em São Paulo, Jânio Quadros; em Minas Gerais, Juscelino Kubitscheck.

O professor Pinzoh é curaçaense de alta nobreza intelectual. Em razão disto, não tenho preparo suficiente para raciocinar sobre suas qualidades, que as avalio inquestionáveis. São muitas, inegáveis e importantes para o universo político-cultural do município.

Contudo, atrevo-me a dizer que o seu nome enriquece qualquer chapa, em qualquer cenário político-eleitoral. Não há dúvida de que sua presença na campanha eleitoral engrandece a política de Curaçá.

Sustentado em minha modesta avaliação, entendo que o professor Pinzoh tem convicções doutrinárias inabaláveis. Isto por si só o credencia para a continuidade de sua luta em benefício de Curaçá.    

araujo-costa@uol.com.br   

 

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 10h02
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Chorrochó: comemorar, refletir, sonhar

O aniversário de Chorrochó requer algumas reflexões.

 

A primeira, de conteúdo mais abrangente, cabe a toda população fazê-la: os caminhos seguidos pelos governantes que o administraram desde o início até aqui foram, fundamentalmente, direcionados ao bem comum de seus habitantes?

 

A segunda, mais atual: as prioridades escolhidas para Chorrochó são razoáveis ou precisam de correção de rumos?

 

A terceira, mais doutrinária: o povo sempre foi considerado, em primeiro lugar, em todas as diretrizes administrativas adotadas?


Contudo, hoje é dia de festa. Chorrochó está alegre. Parabéns às autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário e a todos que contribuem para o equilíbrio institucional do município. Parabéns ao seu povo.

 

E para os jovens, uma observação: orgulhem-se de seu município, porque ele é o alicerce que segura os sonhos de uma vida melhor.


Parabéns aos órgãos de comunicação que têm se preocupado com os interesses de Chorrochó: a pioneira Rádio Líder do Sertão FM, Chorrochoonline, Chorrochó em Foco, Tony Bahia Notícias e o sempre atento sertão a fora, Beira Rio Notícias, de Macururé.

 

Na verdade, estes órgãos desempenham um trabalho louvável em benefício da sociedade local, de sorte que a dedicação de todos eles tem sido de fundamental importância para Chorrochó e região.

  
Parabéns para a prefeita Rita Campos, que hoje responde pela direção do município. Que Deus a ilumine neste crepúsculo de seu governo e lhe mostre renovados subsídios para suas convicções políticas.

 

Qualquer referência ao aniversário de Chorrochó estará vazia se nela não forem incluídos os nomes de Dorotheu Pacheco de Menezes, principal responsável pela luta da emancipação e tantos outros, que também contribuíram para sua história: Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, José Calazans Bezerra, Antonio Pires de Menezes, Pascoal Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva, José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento.

 

Os líderes Paulo de Tarço Barbosa da Silva, Humberto Gomes Ramos e Rita de Cássia Campos Souza, cada um à sua maneira, ainda podem continuar na construção de um novo tempo para Chorrochó, corrigindo os rumos que eventualmente não tenham conseguido atingir quando à frente de suas respectivas administrações.

 

As novas lideranças que estão surgindo – e são muitas - devem seguir a história do município por caminhos mais seguramente direcionados às necessidades do município.

 

Chorrochó está enfrentando uma campanha eleitoral confusa quanto ao melhor caminho a seguir. A população está amadurecendo e certamente saberá escolher, democraticamente, o nome mais apropriado para dirigir seus destinos no próximo quatriênio.

 

Por último, parabéns aos professores de todas as escolas de Chorrochó, que vêm se empenhando na busca de sonhos possíveis para seus discípulos.

 

São os professores que primeiro abrem a janela em tempo de escuridão.

 

araujo-costa@uol.com.br  

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 11h33
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                Eleições de Chorrochó

Embora em tempo de pré-candidaturas, os fatos se delineiam em Chorrochó com vistas às eleições de outubro vindouro. Mas, em se tratando de costura política, parece que muita coisa ainda vai mudar no reino das traições, tanto do lado da situação quanto no terreiro da oposição.

O ex-prefeito Humberto Gomes Ramos se entendeu no direito - ou no dever - de disputar a eleição de prefeito e se lançou no seio da convenção partidária, apenas por uma questão de formalidade. Não chegou a ser nenhuma surpresa. Muitos já sabiam.

Líder e senhor absoluto de centenas de votos, Humberto Gomes havia decidido ser ele próprio o candidato da situação, atropelando a lógica da engrenagem política local. Compôs-se com Dilan Oliveira, na condição de vice. Dilan é uma força política emergente e – parece – com futuro promissor.   

Sabe-se que há algum tempo o nome da atual prefeita Rita Campos já tinha sido lançado no limbo da indiferença dos correligionários, fato um tanto estranho, porquanto a prefeita naturalmente tem o direito de candidatar-se à reeleição. Salvo melhor juízo, a legislação permite.

Rita Campos saiu espontaneamente da disputa ou saíram com ela, amparados em argumentos que a convenceram. Quiçá até uma questão de estratégia eleitoral do grupo político. Mas isto é outra história que envolve núcleo familiar e pouco ou nada importa neste caso. Não se devem misturar questões políticas com quiproquós familiares. A família fica, as eleições passam.

A fraquíssima e isolada oposição chorrochoense tropeçou, caiu, levantou e lançou, em convenção, o nome da experiente médica Socorro Carvalho, lastreada pelos votos de seu pré-candidato a vice-prefeito, Silvandy Costa (Bady). Se não desistir da disputa, ela terá razoáveis chances de se eleger e desbancar do trono a liderança do ex-prefeito Humberto. Não é uma tarefa fácil. Estrategista, o ex-prefeito parece equilibrar-se sabiamente entre as forças políticas locais, de forma a sustentar o seu patrimônio eleitoral intacto.  

O caminho possível para alcançar a vitória nas urnas é arregaçar as mangas e buscar o eleitor onde ele está e não onde pensa que ele deve estar. Mais: não acreditar em conversa de cerca-lourenço de supostos apoiadores que, interesseiros, pendem para o lado de quem oferece mais benesses. E quem está na oposição não tem o que oferecer, tem o que pedir.

Em Chorrochó ou em qualquer lugar, a oposição vive de expectativa, sonhando com o fracasso do adversário. E Chorrochó nunca teve oposição vigilante. Não tem tradição, não tem histórico, não tem perspectivas de poder.    

O fato é que eleitor gosta mesmo é de conversa ao pé do ouvido. Conversa mansa, cúmplice, matreira. Ele se sente importante, grandioso, acaba votando. Nada mais gratificante para o sertanejo da caatinga do que receber, em seu terreiro humilde, um candidato letrado da cidade, em meio a bodes, cabras, ovelhas e cachorros vira-latas. Oferecer-lhe água do pote e jogar uma conversa fora, despretensiosa, inocente, sincera.

Discurso em palanque é glamour. Reuniões, churrascos e outras trapalhadas mais não trazem votos. São apenas festas para candidatos enganarem eleitores e eleitores traírem políticos inexperientes.

Foi sintomático o discurso do ex-prefeito Humberto na convenção: prometeu eleger oito vereadores num universo de nove, o que será uma retumbante vitória, se conseguir. Só faltou dizer que mandará na Câmara de Chorrochó. Um recado constrangedor para a próxima legislatura.

Nas contas do ex-prefeito, só faltou - se faltou - o vereador Luiz Alberto de Menezes (Beto de Arnóbio) que, por enquanto, salvo engano, continua fazendo oposição ao grupo de Humberto Gomes.

Ainda estamos no prazo de registro das candidaturas para as eleições de outubro. Até lá, a lógica e a cautela autorizam supor que alguma coisa pode mudar, até mesmo a substituição de candidatos.

Todavia, isto faz parte do amanhã, embora próximo. E como diz o forrozeiro Flávio José, “amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada”. 

Assim, se nada acontecer, estaremos dentro da costumeira normalidade. As coisas na política chorrochoense geralmente não acontecem.

Eleição em Chorrochó é uma questão de ponto de vista. Cada político vê pelo ângulo que lhe interessa.    

araujo-costa@uol.com.br 

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 18h08
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Curaçá e o professor Pinzoh

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Curaçá indicou o professor, Mestre e Doutor em Educação Josemar da Silva Martins (Pinzoh), para compor, na condição de vice-prefeito, a chapa de Flamber Feitosa. Decisão sábia, acertada, inquestionável. Embora no campo das pré-candidaturas, a homologação do nome do professor pela convenção partidária é uma certeza.

Tenho sido crítico do Partido dos Trabalhadores, desde seu nascedouro, em razão do visível divórcio que me permito enxergar entre o discurso e a prática de suas ações. Conheço-o bem. Transito em seu berço, em São Bernardo do Campo. Convivi com muitos dos seus abnegados fundadores.

Sonhadores por excelência, irrequietos defensores da moralidade pública, alguns desses fundadores estão cabisbaixos, decepcionados com o rumo que o partido tomou. Não era o caminho sonhado por eles no esvoaçar das cinzas da ditadura militar. Houve um desvio de rumo que não estava no esteio do partido, quiçá um equívoco em razão da inexperiência de poder. 

Quero crer que o PT de Curaçá difere, em muito, do PT nacional, o que é atestado pela honradez e seriedade de seus membros curaçaenses, dirigentes inclusive.

É razoável reconhecer que no PT nacional também há nomes probos, corretos, irrepreensíveis, ideologicamente afinados com o ideário partidário. Assim, em todo o Brasil. E Curaçá foi contemplado com petistas sérios, decentes, idealistas. 

Todavia, os pecados de alguns de seus próceres da direção nacional tiveram o condão de contaminar a agremiação partidária. Mas há o joio, há o trigo, há a necessidade de discernimento.

No Brasil, há exemplos clássicos de homens públicos que estiveram acima dos partidos políticos, em razão de suas envergaduras morais. Na Bahia, é exemplo o ínclito ex-governador Waldir Pires; em Pernambuco, Miguel Arraes; em Sergipe, Seixas Dória; em São Paulo, Jânio Quadros; em Minas Gerais, Juscelino Kubitscheck.

O professor Pinzoh é curaçaense de alta nobreza intelectual. Em razão disto, não tenho preparo suficiente para raciocinar sobre suas qualidades inquestionáveis, que são muitas, inegáveis e importantes para o universo político-cultural do município. Contudo, atrevo-me a dizer que o seu nome enriquece qualquer que seja a chapa que ele venha compor. Não há dúvida de que sua presença na campanha eleitoral engrandece a política de Curaçá.

araujo-costa@uol.com.br   

 

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 10h35
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José Juvenal, a saudade não pode esperar

Completa-se um ano que perdemos José Juvenal de Araujo. Completar talvez não seja a expressão apropriada, porque a saudade não se completa nunca. Ela deixa sempre um vazio cruel, inominável, inarredável, que não há como preencher. Preenche-se o vazio com outro vazio mais profundo, mais dilacerante, nunca a saudade.

Hoje não falo de José Juvenal político, do prefeito, do homem do povo. Este, todos já conhecem e dele já falei muitas vezes em artigos, crônicas, opiniões.

Falo de Zé Juvenal amigo, sorriso franco, alegre, encantador, brincalhão, respeitador, prestativo e presente na vida de cada um de nós, que com ele convivemos. 

Refiro-me a Zé Juvenal da adolescência, das saudosas manhãs ginasianas do Colégio São José, do alegre cair da noite nas ruas de Chorrochó.

Falo dos encontros boêmios, das conversas ingênuas e inofensivas, situo-me numa quadra do tempo.  

Falo de Zé Juvenal das Caraíbas, admiravelmente atencioso com a mãe Bela e o pai Oscar, acolhedor, presente na vida de todos da família e do lugar.

Falo de Zé Juvenal construtor de amizades cordiais e amigos perenes, especialista neste particular. Falo de Zé Juvenal amigo, de presença sempre desejável.   

Deste Zé Juvenal, a saudade não tem tempo de esperar para dizer. Diz a todo o momento, no entrelaçar das recordações e no inevitável das lágrimas.

Este Zé Juvenal não cabia em sua própria bondade, extrapolava-se em si mesmo para acolher amigos, parentes, conhecidos.

O Zé Juvenal que ainda amamos era assim: demais. Demais até demais. Tinha o coração generoso, a ternura visível, a essência da sinceridade, a solidez do acolhimento, a espontaneidade do abraço.

Mas este Zé Juvenal se foi. Podia ter ficado mais, podia ter enrolado um pouco para tomar o rumo da distância, a distância infinita da eternidade. Podia ter sentado no começo do caminho e combinado outra data para a partida. 

Gostaríamos de continuar ouvindo suas piadas, seus “causos” engraçados e sua conversa mansa, cordata, agradabilíssima.

Zé Juvenal deixou família, amigos, parentes, admiradores, conhecidos. E deixou a marca de sua passagem por aqui, deixou a lembrança da convivência, deixou o indizível da saudade. 

Deste Zé Juvenal, dentre todas as lembranças que não esqueço, lembrarei sempre de uma: “Como vai, primo?”.

araujo-costa@uol.com.br

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 16h40
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                      Lula e Dilma, os grandes teóricos

Num dos antológicos discursos de Lula da Silva, ele apresentou uma abestada teoria explicativa, para justificar a existência dos poluentes na terra.

Citou Freud - que inventou a Psicanálise e não tem nada a ver com isto - e revelou uma descoberta novíssima, que somente ele sabia, que o “mundo é redondo”. Foi mais além: “se o mundo fosse quadrado ou retangular”, o clima seria diferente, ensinou o grande mestre pernambucano de Caetés.

Dona Dilma Rousseff, aluna exemplar de Lula da Silva, numa truncada entrevista coletiva em Cuba, para justificar uma escala desnecessária e caríssima em Lisboa, disse que fez tal escala porque a “terra é curva” e, por isso, desceu na capital portuguesa, para jantar num tradicional restaurante de lá, carregando a tiracolo 45 membros de sua deslumbrada comitiva, com direito a hospedagem em hotéis cinco estrelas e usando dois aviões, um Airbus e um Boeing, tudo pago com dinheiro público.

Agora, mais do que nunca, Lula da Silva deve estar estudando os movimentos de rotação e translação da terra. Articulou a candidatura do deputado Marcelo Castro, ex-ministro de dona Dilma, para disputar a eleição de presidente da Câmara dos Deputados, com o intuito estratégico de dividir a base parlamentar do governo provisório. Não deu certo. Experimentou uma acachapante derrota, apenas 70 votos.

Foi-se o tempo em que Lula da Silva contava com grande maioria na Câmara dos Deputados, maioria angariada através do escândalo conhecido como mensalão, que ele diz nunca ter existido, mas que o Supremo Tribunal Federal disse que sim e condenou ao xilindró alguns dos responsáveis por essa insanidade com o dinheiro público.

Hoje, sem cofre na mão, a honesta viva alma ficou nua. O mundo é mesmo redondo.   

araujo-costa@uol.com.br

 

  



Escrito por Escrito por Walter às 10h40
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Bahia e Pernambuco recebem Lula da Silva

“A gente pode ter orgulho de ser humilde” (D. Helder Câmara)

O ex-presidente Lula da Silva estará no próximo dia 11 de julho em Juazeiro e Petrolina. Nos dias seguintes visitará Carpina, Caruaru e Recife.

A visita é sintomática. A região Nordeste é, até hoje, a maior base eleitoral de Lula da Silva e de dona Dilma Rousseff. Em todos esses municípios, o petista fará proselitismo político, o que não é errado, tampouco condenável. Dirá que é honesto, o que nunca duvidei. Dirá que há um golpe, para derrubar dona Dilma, dirá que é santo. Dirá mais: que o Brasil está quebrado por culpa da oposição. 

Contudo, há pelo menos dois pontos que Sua Excelência precisa explicar nessa viagem, depois de sua estrondosa derrocada moral e política. Também sou nordestino, quero saber.

Lula da Silva costuma dizer que a “elite” - que ele nega fazer parte dela - não quer dividir a poltrona do avião com pobres que, ainda segundo ele, passaram a viajar de avião em seu governo. Uma retumbante lorota.

Alguém precisa avisá-lo que não foi ele quem descobriu o Brasil.

Primeiro ponto: grande parte dos admiradores de Lula certamente irá recebê-lo nos aeroportos. É uma oportunidade para saber se ele descerá de um avião de carreira ou de um luxuoso jatinho particular, cuja origem do pagamento das milionárias despesas ainda não está razoavelmente demonstrada.

Também é uma ocasião propícia para ele dividir a poltrona do avião com um pobre e compatibilizar as palavras com a prática.

Antes, sabíamos, o custo dos jatinhos de Lula era suportado pelo dinheiro irrigado das grandes empreiteiras em direção aos cofres do PT, empreiteiras essas que foram aquinhoadas com bilionários contratos nos governos petistas, nem sempre bem explicados.

Segundo ponto: Lula da Silva precisa levar a tiracolo, para explicar ao povo do Nordeste, o estudo recente feito pelo Centro de Estudos Sociais da insuspeita Fundação Getúlio Vargas, segundo o qual, dos 13 milhões de miseráveis que ele alardeava ter tirado da extrema pobreza, pelo menos 8 milhões retornarão à condição anterior de miserabilidade. E que a renda per capita dos brasileiros deverá cair 10%, somente em 2016, o que é a segunda maior queda em 116 anos, de acordo com os especialistas. Tudo isto fruto do desarranjo moral dos governos do PT, que não cuidaram da administração pública, mas do cofre do partido e, em alguns casos, do bolso de seus dirigentes.

Lula da Silva ainda precisa explicar aos nordestinos, fiadores de suas vitórias eleitorais, que os seguidos escândalos de corrupção dos governos Lula e do governo de sua atrapalhada pupila dona Dilma empurraram o Brasil para o maior abismo já visto em nossa história republicana.  

Lula da Silva precisa ter humildade para explicar, também, ao povo do Nordeste, que não foi a oposição que empurrou o Brasil para o assustador despenhadeiro atual, como ele, amigos e aliados políticos alegam.

A responsabilidade por toda essa pasmaceira é dele e de dona Dilma, que aparelharam o país e o entregaram a amigos e asseclas desonestos, de modo que alguns deles já estão presos porque dilapidaram o patrimônio dos brasileiros. Noutras palavras: assaltaram o país.

Mas o fato é que Lula da Silva quer engambelar novamente os nordestinos. Ano de eleições municipais, ele acredita que o povo continuará se lambuzando em suas palavras.

Todavia, o seu intuito é uma tentativa de retomar, nas urnas, a perdida credibilidade do moribundo PT. Convenhamos, ninguém mais acredita no lero-lero de Lula, exceto amigos e admiradores.

araujo-costa@uol.com.br

 

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 22h32
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                                 Macururé e a prefeita Silma

Na legislatura de 1959-1963, a Assembleia Legislativa da Bahia contou com dois atuantes deputados voltados para o sertão: o pessedista Raimundo Reis de Oliveira (1930-2002), com raízes no antigo município de Santo Antonio da Glória e o soteropolitano e udenista João Carlos Tourinho Dantas (1922-2016).

Amigos irreverentes, esses deputados formavam uma dupla buliçosa e atenta aos interesses do povo sertanejo e deixaram marcas louváveis na historia da política baiana.  

Ambos foram fundamentais para a aprovação da lei que, em 1962, elevou Macururé à categoria de município, emancipando-o de Glória, mérito estribado no esforço de outro batalhador em prol da emancipação, Diógenes Lemos de Moraes.

Município relativamente novo, com pouco mais de cinco décadas de emancipação político-administrativa e à semelhança de outros pequenos municípios do sertão, Macururé vem se sustentando mais na grandeza de seu povo do que, propriamente, no esteio do Estado e da União Federal.

Ainda assim, parece um município com boas perspectivas, apesar de já ter balançado negativamente em algumas conquistas, como a supressão de sua condição de sede de comarca, em razão do alegado desequilíbrio orçamentário do Poder Judiciário da Bahia.

Como os demais municípios circunvizinhos, Macururé enfrenta problemas diversos, tais como, falta de recursos, violência, ausência de estrutura, insuficiência de equipamentos públicos e o descaso das autoridades estaduais no que tange à segurança pública.     

A prefeita Silma Eliane Adriano do Nascimento Carvalho vem enfrentando, como pode e a seu modo, as turbulências do município. Filha de político, seu pai Silvino Alves do Nascimento também foi prefeito numa época bem mais difícil, até de desamparo, tendo em vista a escassez de recursos de que precisava para tocar os serviços essenciais de Macururé.

Ainda muito jovem, por força do ambiente em que vivia, Silma Eliane parece ter gostado das coisas da política e, até por uma inevitabilidade circunstancial, entrou para a vida pública e, nesta condição, salvo melhor juízo, a população lhe confiou dois mandatos.

O fato é que a prefeita Silma Eliane se destacou em alguns feitos, a exemplo da luta por adutoras, poços artesianos e até pela viabilidade de uma empresa de exploração de minério, mas nem sempre exitosa em sua empreitada. Contudo, não se pode negar o esforço desempenhado em prol de sua gente, embora – parece – tenha enfrentado, em alguma quadra, uma oposição vigilante, o que é saudável para toda e qualquer administração pública.

Oposição é necessária, faz parte do jogo democrático, aperfeiçoa as ideias do adversário.

E oposição é como dizia o lendário coronel pernambucano Chico Heráclio, de Limoeiro: Amigo meu não tem defeito. Inimigo, se não tiver defeito, eu coloco”.


O papel precípuo da oposição é este: achar defeitos. Deve achar defeitos, precisa achar defeitos.

Macururé tem uma prefeita jovem, desenvolta, irrequieta com as coisas do município. Assim, dentro do possível, o município está caminhando.

araujo-costa@uol.com.br        

 

 

 

 

      



Escrito por Escrito por Walter às 13h06
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                         O professor de Língua Grega

 O compadrio em política e administração pública faz-se presente em nossa história há séculos.

Dizem até que Pero Vaz de Caminha, o escrivão da armada de Cabral, em sua famosa carta comunicando o descobrimento do Brasil, aproveitou para pedir um emprego para seu genro ao rei D.Manuel. No entanto, há controvérsia. O que ele pediu, dizem outros, foi a libertação do genro que havia sofrido pena de banimento para a África.   

A ineficiência do serviço público deve-se, quase sempre, ao inchaço da máquina administrativa, geralmente ocupada por pessoas despreparadas, a maioria delas içada aos cargos por seus padrinhos políticos. Um vício secular do serviço público.    

É comum o chefe do Poder Executivo (prefeito, governador, presidente da República), no início de seu mandato, abarrotar as páginas da imprensa oficial com nomeações de pessoas suas ou indicadas por correligionários ao tempo em que demite integrantes do governo anterior. E nessa leva, vão os cargos de confiança, geralmente ocupados por pessoas absolutamente despreparadas para exercer qualquer função pública. Todavia, são apadrinhadas porque prestaram favor aos políticos em suas campanhas eleitorais. Ou são amigos, parentes, amantes, etc  

Há casos que até passam a frequentar as páginas do folclore político nacional. Como este.

O senador Vitorino Freire, que exerceu grande influência política no Maranhão, tinha um compadre a quem lhe devia muitos favores.  Chamou-o ao Palácio dos Leões, sede do governo estadual.

- Compadre, já lhe nomeei professor de grego no Ginásio Estadual, aqui em São Luís.

 Que é isso compadre! Mal sei ler português, nunca vi uma palavra grega.

- Não tem importância. Como a matéria é optativa, não há nenhum aluno matriculado.

E assim foi. Todo mês o compadre do político comparecia ao Ginásio Estadual para assinar o ponto e garantir o recebimento dos vencimentos. Sem conhecer uma letra grega.

Um dia o professor foi comunicado pela direção do ginásio que um aluno havia se matriculado para estudar grego. Ficou em pânico. Foi procurador o senador.

- Compadre Vitorino, tem um aluno matriculado no curso de Língua Grega. O que faço?

- Tinha. Não tem mais. Já mandei prendê-lo. Um sujeito que quer estudar grego aqui em São Luís é doido ou comunista.

E o compadre continuou professor de Grego.

                           

araujo-costa@uol.com.br

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 10h45
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      Falta cultura, sobra malandragem.

Fundado em 1953, o Ministério da Educação e Cultura manteve sob a mesma estrutura as atribuições - educação e cultura - até 1985, quando foi criado o Ministério da Cultura no governo Sarney, que passou a cuidar, especificamente, dos patrimônios históricos e arqueológicos, também das manifestações artísticas e culturais, além do folclore, letras, artes e tudo o mais que teoricamente está ligado à cultura nacional.

Os responsáveis e envolvidos com a cultura fingiam que as coisas funcionavam bem dessa forma, separadas, educação de um lado, cultura de outro. Mas não funcionavam, nunca funcionaram. O que funcionava bem era o apadrinhamento, o emprego de parasitas pagos com o dinheiro público para embromarem e preencherem espaços nas repartições ou fora delas. Um cabide de emprego vergonhoso e insultante à sociedade.

O governo provisório que resultou do impeachment de dona Dilma Rousseff tencionou extinguir o Ministério da Cultura ou transformá-lo numa secretaria vinculada à presidência da República. Todavia, errou no cálculo político e expôs a fragilidade do governo interino.

Deu-se uma gritaria estrondosa do chamado “pessoal da cultura”. Entretanto, a gritaria, sabe-se hoje, não era em defesa da cultura, mas de seus próprios bolsos. Excetuam-se, evidentemente, os bons servidores. Eles sempre existem em qualquer lugar.

O governo interino mexeu em casa de marimbondos, ou seja, tentou desalojar os penduricalhos e apadrinhados de políticos que se viram ameaçados em seus altíssimos salários. E cedeu. Deixou tudo como dantes.

O Ministério da Cultura continua inchado de servidores ociosos indicados por partidos políticos, o que nunca foi privilégio dos governos passados, nem será somente do atual, mas de todos, enquanto governar continuar sendo um meio de locupletar os mais espertos e desonestos. 

Agora, a Polícia Federal achou o ninho da malandragem abrigado no Ministério da Cultura.

O acinte vai da contratação de shows de ricos cantores sertanejos, que até têm jatinhos particulares, até pagamento de festa de casamento de um magnata. Tudo com dinheiro público. Segundo eles, para fomentar a cultura nacional.

Neste imbróglio tem de tudo, menos cultura. Conta-se que neste contexto, havia um diretor de teatro, artista na arte de lidar com o dinheiro alheio, que se diz agente cultural e é ativista político até os dentes, que ganhava aproximadamente cem mil reais por mês de uma empresa pública vinculada ao Ministério da Cultura. Função desse mentecapto: nenhuma ocupação plausível. Ou seja, ele não trabalhava. Ganhando esse salário estratosférico, contribuía implicitamente para assaltar os cofres públicos.

Agride a lógica um cargo público de pequeníssima expressão abrigar um servidor ganhando cem mil reais por mês, acima de todos e quaisquer parâmetros constitucionais, possíveis e morais.

Evidente que um néscio como esse vai gritar quando mexerem na estrutura funcional do Ministério da Cultura. E não é em defesa da cultura, certamente.  

Como se vê, no Ministério da Cultura falta cultura e sobra malandragem.

 

araujo-costa@uol.com.br



Escrito por Escrito por Walter às 18h46
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                     A ponte invisível de Patamuté

O jornalista Luiz Humberto Prisco Viana (1932-2015), baiano de Caetité, terra do jurista, escritor e educador Anísio Teixeira, era deputado federal pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) da Bahia. Curaçá, município da região sanfranciscana, um dos seus redutos eleitorais. Prisco foi deputado federal por sete mandatos, quase três décadas na Câmara Federal.

Eleições de 1978. Prisco Viana obteve em Curaçá 2.889 votos, na esteira da liderança de Theodomiro Mendes da Silva, seu amigo, aliado político e líder incontestável no município, onde foi prefeito duas vezes (1973/1977 e 1983/1988).

Prisco Viana conseguiu encaixar uma emenda parlamentar no orçamento da União e liberou verba, a pedido de Theodomiro, para construção de uma ponte sobre o riacho Paredão, em Patamuté, histórico distrito curaçaense. E ficou aguardando a festa da inauguração.

Theodomiro mandou colocar pedras na travessia do riacho, na chegada de Patamuté, para evitar atoleiro. Mistura de retalhos disformes de pedras de mármore com cimento. Quando chovia, os carros tinham que esperar as águas baixarem. O motorista precisava mirar bem as pedras e, com muita perícia, acelerar para não ficar dentro do leito atolado ou ser engolido pelas barrentas águas do Paredão.

O tempo passou. E Prisco ficou esperando o convite de Theodomiro para a festa de inauguração da ponte.

Um dia, em Brasília, em seu gabinete no Anexo IV, da Câmara dos Deputados, Prisco Viana fulminou a pergunta a um desavisado filho de Patamuté que tinha ido visitá-lo:

- Ficou boa a ponte do Paredão?

O visitante embasbacou-se, surpreso, porque não entendeu a pergunta. Não sabia de ponte, nunca tinha visto ponte lá.

Prisco Viana explicou: verba liberada, ponte construída, Patamuté beneficiado, povo satisfeito e votos garantidos. O visitante continuou não entendendo. Era leigo demais em política.

araujo-costa@uol.com.br                  

 

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 21h26
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Chorrochó: o ideal e o possível nas próximas eleições

As lideranças políticas de Chorrochó já se movimentam com vistas às acomodações para as eleições municipais de outubro. Umas são mais ostensivas, sinalizam a intenção de disputar, demonstram visível interesse nas urnas; outras se embrenham nos bastidores da administração atual com a expectativa de angariar apoios. Mas é nesse ambiente onde existe mais traição do que sinceridade política.

Entretanto, cada um cumpre o papel político que escolheu conforme suas peculiaridades pessoais.

É curioso notar que as lideranças chorrochoenses basicamente não se renovaram depois do último pleito municipal, talvez por enfrentarem resistências e óbices dos chefes políticos mais experimentados.

É verdade, todavia, que estão surgindo alguns poucos jovens com ideias voltadas para a mudança das práticas políticas. É louvável o interesse que esses jovens vêm demonstrando nas redes sociais, o que me parece saudável para o município.  

Nesse quadro, arrisco-me a dizer que há nomes novos com envergadura considerável, que sonham em disputar a cadeira do chefe do Poder Executivo, embora não se tenham firmado como líderes diante da população, o que é compreensível, porque as lideranças políticas normalmente surgem através das urnas.

Não vislumbro, contudo, nenhuma possibilidade desses novos nomes se agasalharem nas indicações partidárias que, inegavelmente, resultam da costura diária das raposas políticas locais. E é razoável supor que nem sempre essas raposas dizem o que pensam, se pensam, como pensam, porque estão lastreadas na força que adquiriram através das urnas e temem que seus votos se diluam entre novas lideranças que possam surgir. É assim, foi assim, será sempre assim. A vaidade dos políticos tradicionais se sobrepõe ao interesse público. Isto não é privilégio de Chorrochó.

É cedo para delinear nomes de possíveis favoritos nas próximas eleições municipais em Chorrochó, embora o horizonte já esteja razoavelmente claro, pelo menos com relação ao Poder Executivo. Citar eventuais favoritos pode parecer uma afronta aos nomes que pretendem disputar e que se situam em desvantagem em relação a outros. Todavia, não há ingenuidade em política. Todos sabem suas vantagens e desvantagens.

As lideranças que estão surgindo, timidamente, devem atentar para o fato de que em política não há espaço para quem dorme. Até cochilar chega a ser perigoso. Outros podem estar passando a noite em claro, maquinando, urdindo peripécias, fazendo estratégias e, sobretudo, estudando uma forma de espinafrar o adversário.

A ausência de solidez do candidato a cargo eletivo não está em sua fragilidade política, mas na capacidade que ele tem de cochilar. Ganhar a dianteira será sempre um drible no destino e no concorrente. É aí que as raposas políticas saem na frente, porque são boas de cochicho ao pé do ouvido do eleitor, mesmo fora de campanhas eleitorais.

Em todo caso – parece – as eleições municipais de Chorrochó serão decididas entre o ideal e o possível.

Só assim, surgirá um equilíbrio no sentido de pavimentar o caminho para administrações vindouras mais atuantes e vereadores menos displicentes no que tange às reivindicações populares.

Argumentar-se-á que hoje há vereadores sérios, atentos, preocupados. Entendo que sim e não estou dizendo o contrário, mas aperfeiçoar suas ações, inclusive legislativas, nunca é demais. E Chorrochó precisa de um novo tempo avesso a práticas ultrapassadas.

araujo-costa@uol.com.br

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 16h45
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O caminho, a lucidez, o começo, o fim, o meio.

São Paulo, 21.08.1989. O cético, agnóstico e baiano Raul Seixas foi encontrado morto em seu apartamento. Rua Frei Caneca, centro velho de São Paulo. O local da morte talvez resuma as contradições de Raul: as loucuras inexplicáveis de São Paulo, do mundo, da vida.

O velório no Parque Anhembi, diferente de todos que eu já tinha visto, aconteceu ao estilo de Raul, louco e indescritível: choros, sorrisos, gritos, irreverência, abraços efusivos, cartazes. Tinha de tudo, menos a normalidade protocolar de que se esperava acontecer num velório.

Depois, o corpo de Raul foi transportado para o cemitério Jardim da Saudade, em Brotas, Salvador.

Eu era jovem. Embora jovem, já havia trilhado alguns caminhos tortuosos, caído e tropeçado algumas vezes e me esforçava para “ser um sujeito normal”, enquanto ele “aprendia a ser louco”. Longe de minha Bahia, naquele dia lembrei meu tempo da Rua Aristides Mílton, na Barroquinha, em Salvador, quando Raul lançou “Gita” e os jovens da época se embeveciam assustadoramente. Mais tarde, vieram “Medo da chuva”, “Maluco beleza” e tantas outras loucuras de Raul. Ele deixou a lição: “o caminho é fácil seguir por não ter onde ir”. Continuo assim, acho que continuamos assim.

araujo-costa@uol.com.br

 

 



Escrito por Escrito por Walter às 11h32
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